A Princesa das Margaridas

Domingo é aquele dia que muita gente não gosta, pois é um dia que não se faz nada. Se houve borga no sábado à noite, então sem dúvida que é um dia perdido. Mas quando o fim-de-semana é calmo, podemos sempre ir beber um copo e conviver na festa da mensagem no Bar 106.



Para quem não conhece este tipo de festa, eu explico. Ao entrares no bar recebes um autocolante com um número e depois ao longo da noite podes "enviar e receber" mensagens escrita num papel. 
Não sou tímido e se tenho algo a dizer, ou se alguém mexe comigo, vou meter conversa. Logo esta festa não bem a minha onda. Mas na última noite que que foi até lá, descobri que esta festa pode ser bastante divertida se tivermos com a mente aberta , uma vez que ao mesmo tempo que falas com uma pessoa, podes enviar-lhe mensagens. 
Quase todos os meus amigos héteros já foram comigo a um bar gay, por isso nem me lembrei quando convidei uma amiga  para ir comigo ao 106, que este seria o seu primeiro contacto a sério com este mundo. Ao sairmos do bar ela mostrou a sua opinião sobre as “Daisys” – não me estou a referir a princesa que faz parte do mundo dos videojogos do Super Mário, mas sim ao pessoal efeminado.
Tenho que admitir que quando era puto fazia-me muita confusão essas pessoas. Contudo, agora que estou resolvido, entendi que não era pelos tiques ou maneira de ser, mas por terem escrito na testa em CAPS LOCK que eram gays e caso eu tivesse junto deles, também seria. Era quase como um coming out. Nos dias de hoje e depois de conhecer tantas pessoas, já não me faz diferença. Continua a não fazer parte da minha maneira de ser e duvido que consiga ter algo com alguém que use mais maquilhagem que a minha mãe, mas consigo estar no mesmo e conviver com alguém mais “expressivo”.
No meu trabalho temos um colega que é uma Daisy dos pés às pontas dos cabelos, e como tal o pessoal não gosta muito dele. Os meus amigos cortam bastante no cachopo por causa de ele ser assim e dizem constantemente que não era necessário. Eu concordo que ser gay não é a mesma coisa que ser uma mulher, mas também acho que uma pessoa não escolhe ser efeminado. Duvido que muita gente queira sofrer e sentir-se de lado por opção. Acredito que é algo que nasce com a pessoa. 
Depois de debater este assunto com a minha amiga, chegamos à conclusão que há uma diferença entre ser efeminado e ser uma Daisy. Efeminado é uma pessoa com tiques, mais feminina mas uma Daisy é a postura, e o querer ser, é andar cheio de lantejoulas e plumas. Neste caso já entendo que seja uma opção, mas lá está o mundo é livre e ninguém tem que viver dentro do "normal". E sendo sincero, num mundo em constante mutação será que alguém ainda sabe qual é a definição de normal? E será que ser normal é algo bom?

1 comentário:

Mundo Entediante disse...

Esse bar tem muita gente jovem nessa festa da mensagem?

Eu por mim sou amigo de toda a gente, se alguém gosta de se vestir ou maquilhar ou expressar-se ou falar da forma que consideramos como «feminina»/«masculina», que o faça e não me parece que isso descreva esse alguém como mau para uma amizade.
Pois as nossas ideias, gostos, vontades, vão resultar nas ações que temos, enfim somos presos ao nosso corpo.